Tartagliazo allo “stato d’eccezione”

Gianfranco Fini, aliado fascista de Berlusconi, descreveu o incidente como “muito mau para a Itália”: “É dever de todas as forças políticas garantir que nom voltamos aos anos da violência”.

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Xavier Moreda | Para Kaos. Galiza | 22-12-2009 a las 12:08

Gianfranco Fini, aliado fascista de Berlusconi e líder da Liga do Norte (extrema-direita), descreveu o incidente como “muito mau para a Itália”: “É dever de todas as forças políticas garantir que nom voltamos aos anos da violência”. Foi ainda mais longe, avaliando que o ataque ao primeiro-ministro constituiu um “acto de terrorismo”. Paradoxal exortaçom do fala-barato fascista, parceiro politico do agressor agredido, ideólogo máximo do regime transbordado premeditadamente polas finanças mafiosasa partir do poder político que pretende, protege e estimula a protecçom das máfias. Berlusconi é pai por adopçom de um certo humor televisivo baseado no sofrimento alheio. Pensa que esta acima de todos e podem fazer o que quiger. Diverte-se com a dor alheia, como todos “engraçados” que logram achar e fazer piada das tragédias e das misérias humanas.

O primeiro-ministro italiano, este monstro que talvez tenha antepassados emigrados nos EUA ou na América Latina, como toda a Itália, foi e continua a ser o iniciador da mais ignominiosa política italiana em matéria migratória e dos direitos mais elementares comandando um governo que nom duvidou em criminalizar a condiçom mesma do imigrante. Desprezando o direito de asilo da populaçom fugida das perseguiçons políticas e da própria fame. Vulnerando sistematicamente a dignidade e os direitos em campos de concentraçom para líbios sedentos, para líbias vítimas duplas da sede e da ablaçom, da miséria.

tália é já o regime que encabeça o ranking das democracias comerciais, mudou o jeito da alternáncia parlamentar por algo mais preciso e dantesco, algo trágico, mais atroz: a rotaçom calculada das equipas dirigentes provenientes da empresas e lindeiros de Berlusconi,  que bloqueiam sistematicamente as mínimas necessárias reformas estructurais de qualquer comunidade das chamada democrática parlamentar. O capo tutela a democracia comercial a partir dos meios maciços de comunicaçom. Mesmo a partir da confusom conveniente entre a liberdade de imprensa e a propriedade da radiotelevisom e os jornais que mediatizam o tom politico, condicionando a agenda política dum Estado podre que nunca será (nunca!) nem alavanca nem motor das mudanças estruturais imprescindíveis nem na Itália nem no mundo.

Il cavaliere foi vítima do tartagliazo e da sua própria recuperaçom fascistóide, da sua particular normalizaçom da linguagem fascista comercial; ex abrupto arremesso como arma  e veículo do medo que retornou contra ele como um bumerangue responde para esfanicar consciências petrificadas, domesticadas, submetidas pola legalizaçom do crime organizado, do “golpe bianco”. Da estratégia berlusconiana, – la denegazione del prestigio, dell’autorevolezza e della funzione di garanzia delle massime cariche dello Stato (Presidenza della Repubblica e Corte costituzionale) e do desprezo absoluto do poder judiciário, e a revisom dos ditados constitucionais com a ideia de aumentar ilimitadamente o seu poder pessoal.

tartagliazo foi resposta à sua própria linguagem retransmitida, imprensa. Contra a luita pola efectiva democratizaçom dos meios de comunicaçom, seqüestrados em Itália, contra o fim do controlo exercido por alguns poucos grupos empresariais sobre a produçom jornalística e cultural italiana confundida como simples indústria com direito a emerdar a contaminar a liberdade com a opiniom dos que proclamam aquém e além as bondades do apoliticismo activo. Contra o boletim único emerdado com mensagens cheias de preconceitos e descriçons absolutamente xenófobas, racistas dos e das outras, homosexuais, ciganos, romenos… que levam grande parte de Itália e do mundo à crença de que os e as diferentes precisam de ser eliminadas, ridicularizadas, expulsas. Esse cinismo quinta-essenciado para ser consumido como fast-food.  Como fascismo comercial, é crucial para entendermos a origem da justificaçom de toda “santa cruzada” contemporánea. Dos assassinatos em massa que geralmente som esquecidos, apagados da memoria colectiva. Começamos pensando que som só palavras soezes para acabar sendo, directiva do retorno. Há conversas frívolas que pré-cozem leis, fertilizam o habitat para que estes ataques genocidas publicitados como “depuraçons necessárias” cresçam e sejam assumidos naturalmente.

Eu sinto umha profunda gratitude por todos os que presenteiam sapatadas ou hóstias em forma de Catedral, som os nossos heróis, vítimas laicas. Som, para os néscios e néscias de bom tom, terroristas. Mas um golpe nom é nada para estes mediáticos indutores de crimes contra a  humanidade. Acabar com a espiral da violência berlusconiana, terrorismo de Estado, implica acabar com quem representa a violência mesmo desde a legalidade inventada à medida dos criminosos donos seculares do poder.

O ataque foi já veementemente condenado por supostas e supostos democratas também, suponho que por imperativo institucional polo próprio presidente italiano, Giorgio Napolitano, representante também de um sistema corrupto que nom encontra ou nom encoraja o caminho da radicalidade necessária para depurar as responsabilidades dos políticos Italianos mesmo desde a morte do “Duce”. Um souvenir; umha lembrança-estatueta estampada a tempo na face hipócrita do sistema nom deve constituir um problema internacional, mas a classe política começa a tremer apavorada perante o simbolismo pequeno ou grande com umha das muitas catedrais europeias e a falta de correcçom política.

Massimo Tartaglia ao ser detido dixo: “eu nom sou ninguém”. A expressom lembra-me aquela que tantas vezes escuitei às vítimas vivas do Genocidio Galego: eles nom figeram nada. Porém a mao (sem braço) armada da Itália democrática está em crise psiquiátrica vítimas da delinqüência  berlusconiana e de todos e todas as que pensam que os povos tenhem o que merecem apesar de estarem sob a bota do fascismo.

tartagliazo já é como a sapatada ou o zapataço de um acto heróico dos povos imersos ou afogados nas práticas da democracia comercial berlusconiana.

Quem defende Berlusconi como a representaçom da institucionalidade defende a corrupçom maior da história da República Italiana, espalhada por toda a Europa. Agradeço mais umha vez a Tartaglia a  magnífica arroutada, a sua aproximaçom de Berlusconi quando o chefe de Governo estava a dar autógrafos. Umha pequena réplica metálica da catedral de Milám, daquelas que se compram em qualquer quiosque da cidade. Berlusconi representa, na realidade, a monstruosidade de um sistema corrupto e criminoso que nom escuita nem os seus próprios aliados da UE e que já mereceu em repetidas ocasions os protestos da ONU e da igreja só escandalizada publicamente pola difusom dos factos referidos às “belinas”. A tragédia mais criminosa foi a das 73 vítimas eritreias que no passado mês de Agosto, depois de 21 dias à deriva no Mare Nostrum aos pés da Italia, morrian afogadas perante o desleixo e a passividade de um povo que esqueceu o seu passado a tradiçom migratória. Os que induzem a entender, a adoçar os factos dos delinqüentes eleitos como irremediáveis, a fazerem compreensíveis estes actos pensam nisso como pequenas ou grandes guerras necessárias, humanitárias com ou sem Nobel, estám a fazer guerra contra uma parte identificável do género humano, que é o mesmo que contra a humanidade inteira. Para quem conscientemente fai a guerra no nome de quem for, limpezas étnicas em nome da civilizaçom cristá devemos como pouco aplicar- lhe as mesmas normas, as regras que eles mesmos ponhem em prática contra o género humano.

Xavier Moreda en Kaos en la Red

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